No Brasil, existe quase um consenso, entre uma piada e outra, de que “o ano só começa depois do Carnaval”. Essa expressão, além de refletir a pausa cultural e social que muitos tiram em fevereiro, também pode esconder um risco real para a saúde financeira, a procrastinação de decisões importantes enquanto as contas continuam chegando e os alertas de endividamento passam despercebidos.
Entre o extremo de quem inicia suas metas somente no início do ano e não coloca nada em prática, do outro lado temos muitos brasileiros que deixam de organizar seu orçamento no início do ano sob a justificativa de que vão “começar de verdade depois do Carnaval”. O problema é simples, o endividamento não espera calendário festivo. Ao adiar a análise do orçamento e a tomada de decisões financeiras até fevereiro ou março, é comum que despesas do começo do ano se acumulem e acabem gerando dívidas com juros altos.
O efeito ressaca financeira vai além da folia
O Carnaval pode ser um momento de celebração, mas também representa uma época em que muitas pessoas gastam mais do que planejado, seja com viagens, festas ou lazer, sem contabilizar devidamente esses custos no orçamento. E o impacto pode persistir por semanas depois da folia. É importante ficar em alerta, pois quando o orçamento não é revisado assim que as contas voltam à rotina, surgem o que se chama de “ressaca financeira”, surpresas nas faturas de cartão, compromissos acumulados e pouca ou nenhuma reserva para imprevistos.
Esse ciclo de atraso tem um custo psicológico e financeiro. Quando as dívidas começam a acumular, a pressão por pagar juros e encargos compromete a capacidade de poupar e investir, ao mesmo tempo em que aumenta o estresse e a sensação de estar sempre “correndo atrás” das contas, um fenômeno que especialistas associam a esgotamento financeiro, onde preocupações com dinheiro impactam diretamente o bem-estar e as decisões cotidianas.
A procrastinação financeira é um risco silencioso
A educação financeira ensina que boa gestão de dinheiro exige monitoramento contínuo das receitas e despesas, definição de prioridades e ações rápidas diante de sinais de alerta, como faturas que não fecham, uso frequente do crédito rotativo ou diminuição da reserva de emergência.
Ignorar esses sinais até “começar de verdade o ano” pode ser especialmente arriscado porque:
- Juros compostos aumentam rapidamente o saldo devedor quando contas não são pagas em dia.
- O crédito rotativo e cheque especial podem se tornar armadilhas de custo elevado se usados para cobrir buracos momentâneos no orçamento.
- A longo prazo, postergar o enfrentamento de um problema financeiro pode dificultar ainda mais a reorganização futura, criando um ciclo de dívidas cada vez mais difícil de quebrar.
Estratégias simples como revisar as faturas o quanto antes, renegociar dívidas em atraso e ajustar o orçamento logo no início do ano ajudam a diminuir esse risco silencioso. A renegociação de dívida, inclusive, quando realizada de forma planejada, pode aliviar o peso financeiro e restabelecer o controle das finanças pessoais sem ampliar ainda mais o problema.
O Carnaval pode até ser um marco simbólico no calendário brasileiro, mas adiar o cuidado com as finanças até depois da folia pode sair mais caro do que parece.
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