Liderar uma equipe ou negócio exige mais do que visão de mercado ou networking, exige controle financeiro. Quando lideranças carecem de educação financeira, inúmeros problemas costumam surgir, muitos dos quais silenciosos e difíceis de mensurar, mas com impacto real nos resultados da empresa.
Decisões estratégicas com base fraca
Quando um líder entende pouco de finanças, é provável que:
- superestime receita futura ou subestime custos operacionais;
- falhe na previsão de fluxo de caixa, levando a falta de liquidez;
- invista mal em projetos com retorno incerto ou esqueça de considerar todos os riscos financeiros;
- negligencie provisões para contingências, imprevistos ou oscilações de mercado.
Esses erros podem gerar desperdício de capital, necessidade de capital extra (ou endividamento) ou subutilização de recursos próprios.
Impacto sobre custos indiretos: rotatividade, produtividade e estresse
Líderes que não demonstram clareza financeira tendem a gerar insegurança nos colaboradores:
- pagamento atrasado, encargos não previstos ou cortes inesperados afetam confiança;
- orçamentos inflados ou mal distribuídos causam pressão desnecessária sobre times;
- falta de transparência em decisões financeiras pode gerar ruído, desconfiança, baixa motivação.
Esses fatores contribuem para turnover e absenteísmo, o que acarreta custos de recrutamento, treinamento, perda de performance até recuperação do ritmo.
Exemplo: pesquisa “A epidemia dos maus gestores e seus impactos” aponta que má gestão, muitas vezes ligada à falta de preparo financeiro, combate talentos e gera perda financeira pela rotatividade.
Perdas operacionais e impacto em reputação/risco
Erros de liderança financeira afetam:
- negociação com fornecedores ou financiadores (condições desfavoráveis por falta de planejamento ou atraso de pagamento);
- capacidade de captar investimento externo ou crédito, pois demonstrar fragilidade financeira reduz credibilidade;
- imagem institucional: atrasos ou falhas em entregas, incapacidade de honrar compromissos, promessa de crescimento descumprida.
Tudo isso pode se traduzir em oportunidades perdidas, taxas maiores de financiamento, multas ou ajustes regulatórios.
Estudos e evidências no Brasil
- O relatório da ANBIMA mostra que muitas iniciativas de educação financeira no Brasil falham em contemplar profundamente os comportamentos financeiros, emoções e vieses cognitivos, o que implica que líderes também não estão preparados para tomar decisões baseadas nesses aspectos.
- Pesquisa da Consumidor Moderno indica que 55% dos brasileiros compreendem pouco ou nada sobre educação financeira, isso inclui pessoas com alto nível de escolaridade e renda, o que sugere que o gap educativo financeiro também atinge lideranças potenciais.
Como mitigar esse custo invisível
- Programas de capacitação financeira interna para líderes (CFOs, gerentes, diretores) focados em fluxo de caixa, análise de custos, projeções, risco.
- Transparência nos relatórios financeiros e na comunicação orçamentária com liderados, incluir lideranças intermediárias para que decisions sejam feitas com base compartilhada.
- Uso de ferramentas e dashboards financeiros que permitam previsões realistas, visibilidade de cenário, simulações de risco.
- Avaliação de performance também considerando métricas financeiras além das vendas (margem, eficiência de capital, custo de oportunidade).
O custo da má educação financeira nas lideranças é real, mesmo que ocorra fora dos relatórios oficiais: é invisível, silencioso, cumulativo. Ele mina a margem, corrói cultura, afeta produtividade e cria riscos multiplicados.
Empresas que investem em educar suas lideranças financeiramente não só evitam perdas, elas fortalecem sua capacidade de decisão, aumentam resiliência frente às crises e acabam se diferenciando no mercado. Para a Tórus e clientes com alta complexidade patrimonial, isso significa identificar gaps nas lideranças, estruturar capacitação contínua e promover uma cultura de responsabilidade financeira como parte da governança.





